A INCONTINÊNCIA DOS «CONTINENTES»

 

 

 

 

F

artos

Do bocejo

Do fumo

Da honestidade

Dos marchands

¾ oh excesso de galerias!

 

 

 

 

 

Deixem-nos ser fraude

Deixem-nos ser tranquilos empresários

ou

Agricultores astutos

Deixem-nos ser idolatras

Falsos mendigos

Intoleráveis forretas

Os ídolos da currupção!!!

 

 

 

 

TODA A ARTE È FRAUDE!

 

(diz (despudoradamente) Pedro Portugal)

 

TODA A ARTE È RAPTO

 

(digo (eu))

 

ou uma delicada estupidez

 

 

 

 

 

Queremos continuar a repetir frases: frases meigas e intolerantes. E dar-lhes a consistência de uma obcessão maligna, de uma publicidade sem objecto.

 

 

 

 

 

Nós não temos corpo: temos aspectos,

inchaços

gozos

estomagos

peidos malcheirosos

súor

dentaduras

lucidez

 

&… ÊXTASE!!!

 

 

Temos sobretudo a vertigem da ginástica e do MÚSCULO!

 

 

 

Toda a arte é simulacro de fraude

Toda a fraude é simulacro de arte

 

 

 

 

Mas a Arte interessa?

 

 

Is artless art?

Is art artless?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vamos fazer a nossa última exposição:

 

Explosão sintética de uma virilidade excessiva,

Prótese anónima sobre a arte

E o depois

E todos os vícios espetaculares

De que se alimenta

 

 

A HISTÒRIA

 

 

 

 

O FIM

A QUEDA

As catástrofes finais

Os invernos nucleares

As guerras

O nihilismo

O terror e as metáforas jornalísticas

 

 

foram vazados para o cano de esgoto da nossa cinematografia:

 

nem pedaço de pelicula trucidada, nem ganha-pão nos arraiais da memória:

 

 

 

 

 

 

 

este FIM é a comemoração das rupturas

 

o aumento dos risos

 

o principio da inocência: da grande inocência

 

DO TERRORISTA & DO CANIBAL!!!

 

 

 

Agora que o que fazemos é discussão do que não se virá a fazer, podemos pensar com toda a crueldade necessária:

 

 

 

Quando os marchands se humanizam dá-nos vómitos

Quando os nossos amigos se queixam do

 

maravilhoso-oportunismo

 

que reina nestes arredores de aldeia que é a nossa querida arte nacional

e se indignam com o (im)possivel aplauso a tais saloias manhas

 

 

 

 

dá-nos vontade de ainda assaloiar mais

de ser eterno labrego

& osga nas bocas públicas!

 

 

 

 

ANTES CÚMPLICES DA VIDA DO QUE EUNUCOS DA HONESTIDADE!!!

 

 

 

 

 

 

 

E o que hoje impera é este eunuquismo desvirilisado

Este caminhar para o (r)abismo entre a honestidade &

 

O SENTIMENTO

O EU
A HEROÌNA
O BEM-COMPOSTO

AS IMPECÀVEIS CITAÇÕES

AS POSES DO CONTRA

DO A FAVOR
& DO PÓS!

 

NÃO! NÃO! NÃO!

 

Oh doce Educação Espartana, o que é que nos ensinaste?

 

A nós as ACADEMIAS da indisciplina muscular!

E o extase sem excitantes

Sem eternas-fêmeas

Sem o desejo quase até ao espasmo da Verdade!

 

 

 

A nós o eterno combate a este alcoolismo apaneleirado que estrangula as artes e o mundo!

 

 

Oh, Musa antiga do grande Cesário Verde!

Oh campo!

Oh cidades!

Oh mulheres! (sempre diferentes, sempre outras!)

Com esse cheiro denso

Essa elasticidade de pele:

amazonas desta interminável guerra

 

SEXUAL

 

 

Maquinarias absurdas!

Flores abrindo com nómadas perfumes:

inchando a pele

tentacularizando as nossas acções para as procriações futuras!

 

Oh Orkhidolos

Arkhidolos sem Arkhé

e de hierarquia flutuante!

 

 

 

 

Oh!

Éden troglodita de fofas mamas!

Oh, mau gosto às vezes

 

Como somos saloios

Pequeninos

Repteis

Em suma

PORTUGUESES!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como somos pedaço de estrume

Grunhido

Víbora no leito de Hércules

Homéricos sem a nostalgia de antigas grécias

Apóstolos do contorno e druídas da vaguidão

 

Semideuses

E porque não?

 

 

 

 

O MEL

 

Há que implantar RÚSTICAS ACRÓPOLES!

Ornamentadíssimas, florais!

BABEIS SUBTERRÂNEAS

Estátuas, tão colossais quanto ínuteis!

Colar os restos dos deuses com o nosso cuspo!

E pontapeá-los dizendo

«levantem-se mandriões!»

 

 

 

 

 

CRISTO FEZ POUCO!

 

NÓS RESSUSCITAMOS OS «IMORTAIS!»,

NOSSAS CAPRICHOSAS MARIONETES,
NOSSOS URSINHOS DE PELUCHE!