CONTINENTES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O incessante fim da arte

Ou

Os incessantes fins das artes

Ou

A arte dos incessantes fins

 

 

 

 

 

 

(antes de nós – antes do “Isso”)

 

Nos oceanos da tradução subsistiam em ilhas,

estabeleciam-se em litorais,

dedicavam-se

com um calor autofágico

aos luxos de um arquipélago,

aos diversos turismos metafísicos.

Resistiam aos imperialismos continentais.

Outros,

de traseiros olhos,

babavam-se em arqueologias sem ruínas.

A busca interminável

dos eternos fundamentos.

Ou uma pessoalização abstracta.

 

 

 

 

(qualquer coisa)

 

Entretanto o Novo desaparecia enamorado

da sua própria história

numa rude anarquia

de especularidades.

Os artistas entregavam-se a simulações onânicas

em magníficas performances.

Os proclamadores do êxtase apocalíptico estavam satisfeitos.

 

 

 

 

(princípio do Nirvana?)

 

A obra de arte

impotente perante os declínios do sentido e da verdade

( e seus derivados)

busca saídas em corredores esfíngicos

de postiços enigmas.

Dramatizava-se o apagamento do sentido

recorrendo a cenários tecnológicos,

a memórias esquizificadas,

a instintos

aleatórios.

 

 

 

 

 

 

(having babys)

 

Categorias liquidas,

disseminação dos cultos da diferença

e da indiferença.

Sentíamo-nos alegremente condenados

às vertigens risomáticas,

a um simular desfrutante,

a um inumerável apetite.

 

 

 

 

(estradas, excessos e palácios)

 

A terra tinha tremido e voltava a tremer.

Olhávamos de lado para as dis-posições fractais.

A terra e as plutónicas entranhas

não queriam mostrar mais tesouros.

Talvez se reservasse

a um uraniano pudor.

Talvez tudo se tivesse dissipado.

Havia também o esférico ser

na sua suspensão brilhante.

Num sus-pendiamento.

No meteoro de pensar / pender

onde não há crueldade ou sofrimento

mas apenas brilho.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(the love of doxa and paradoxa)

 

 

Crianças post-paradoxais.

Instintos trans-menipeicos.

Teatros infra-criptográficos.

Contingências sigilares.

Ou um desejo

cruel,frenético,exigente

de ornamentar

com amáveis paraísos

o vazio.

 

 

 

(Continentes)

 

Porque sim!