EDUCAÇÃO ESPARTANA
(panfleto maoísta)
A arte foi novamente invadida pela anemia da pintura.
Os Gestos Canalhas repetem-se!
Aa retórica nietzschiana corrompe os espíritos!
E o pensamento vive a sua calma luxúria de Narciso
em eutanásia prateada, roxa, convexa!
A quem interessam as rosas vermelhas murchas?
Morte à Pintura,
coisa de vermes!
A idolatria e os mecanismos que presidem à Pose Abstracta, são os inimigos das transutopias que o progresso homeostético determina.
(para esses a nossa aguerrida brigada determinará as mais impiedosas perseguições,
as mais lúbricas torturas, as mais crápulas execuções!)
A arte hoje passa pela guerrilha,
pela guerra ao mercado da arte
e a exposição dos cadáveres de tais rançosos comerciantes
na praça pública.
(no Rato, na Chiado, no Rossio)
para deleite estético dos enxames de moscas.
Oh doces zumbidos junto ao venenoso aroma!
Arte
igual a Guerrilha
igual a Povo
– o artista é o verdadeiro gatilho da Revolução,
e não a delicodoce metáfora (género “a minha caneta é um arado, o meu pincel é um canhão”).
A nós o estrondo e as dissonâncias da vanguarda,
A vertigem da dizimação do balofo autómato que é o burguês
e o seu mais contraditório / característico representante:
O Pintor!