LES ANIMACULES HOMEOSTÉTIQUES

 

 

 

ou vai ou racha

 

 

A Homeostética é/foi/será uma anima-colagem feita por animalcooólicos.

 

 

 

Não temos sede (nem esperança) de novidade, pelo menos aquele tipo de novidade de que todos estão à espera para andarem atrás dela.

 

 

A única novidade é morrer,

e morrer é um absurdo.

 

 

 

 

 

Que a arte está sempre no fim, no exacto ponto final de si mesma, com pores-do-sol hegelianos e outros ilusionismos crepusculares não temos dúvidas. É o mesmo que dizer que tudo está no ínicio, no ultimatum auroral com que ELOHIM fazem (plural bíblico) a Luz. Bereshit.

 

 

 

 

Augusto Barata também se fartou de morrer (mas quem é Augusto Barata Þ vêr os aforismos do mesmo em página a determinar).

 

 

 

 

 

A Exposição CONTINENTES cheira a megalomania. Nós cheiramos a des-mesura (e a mescal!): a medida com que as medidas têm que se medir. Para explicar este híbrido sentimento da “hybris” recorremos ao estafado fragmento de Protagoras (com muito molho heideggeriano e anti-heideggeriano). Isto é,

 

 

o nosso excesso é

a medida de todas as coisas,

quer daquelas que são e parecem,

quer daqueles que não são nem parecem.

 

 

 

 

 

Toda a pseudo-simbologia faz pensar nas manifestações do nosso autoritarismo pró-fascista de finisterra ( numa altura em que o mundo já não tinha ponta por onde se lhe pegasse, i.é, nem principio nem fim), nos salazarengos anos quarenta e no saudoso mas não saudável MUNDO PORTUGUÊS.

 

 

 

 

Fomos educados dentro dos ternos canones de um colonialismo simpático, de uma pátria ultramarina com as suas províncias e rios que cuidadosamente decoramos.

 

 

(

 

(O nosso Salazar era um velho ridículo com voz tremida e os presidentes da républica cortavam fitas para os telejornais. Colonialismo de que somos culpados, sim senhor, mas que decedimos esquecer, entregues os territórios aos revolucionários indigenas, às suas guerras civis e consequente ruína económica. A Mea Culpa não basta! Alguns de nós nasceram nesses PALOPs (que designação mais neo-colonialista!) ou por lá andaram. )

 

)

 

 

 

 

 

A diáspora portuguesa foi naif e evangélica. Nós não somos naifs nem evangélicos. Somos mentalmente retornados e espoliados, e no entanto sem nenhuma vontade de voltar atrás nem com lágrimas de saudade.

 

 

 

Somos retornados como todos os portugueses, mesmo sem o saberem, o são. Como Ulisses, regressamos sem glória à amada pátria, onde alguns cães nos reconhecem.

 

 

 

 

 


Esse retorno, esse Nostos, é o retorno a partir do qual já não é possivel retornar, como dizia Kafka.

 


 

 

 

 

 

 

 

E uma fatal diáspora habita-nos defenitivamente. Essa diáspora é o mundo em fragmentos, e são esses fragmentos que voltam a escrever o mundo, que se viram contra a noite e o ressentimento.

 

 

 

Esta exposição é a cartografia de um imperialismo imaginário, sem territórios, e se quizerem, para animar os intelectuais francófonos, nómada.

 

 

 

O fascínio do exótico num mundo sem exótico?

 

 

 

Já por diversas vezes imaginei escrever um romance sobre a aventura de um yatchman inglês que em virtude de cometer um ligeiro erro de cálculo na sua rota veio a descobrir a Inglaterra, sob a impressão que se tratava de uma nova ilha dos mares do sul. Haverá, provávelmente, a impressão geral de que o homem que desembarcasse (armado até aos dentes) para implantar o pavilhão inglês nesse barbárico templo que passou depois a ser o pavilhão de Brighton devia ser considerado doido.” (Chesterton)

 

 

 

 

 

O exotismo e a novidade são pouco mais que isto.

 

 

 

E

sta exposição é como uma esponja a redimir toda a ironia a que se possa assemelhar. Absorve, absorve, absorve. A ironia nunca é essência mas um método retórico que denota um certo pudor. Pode-se no máximo falar de uma paródia das nossas instruções primárias e dos quintos imperialismos que vão do saloio saudosismo às megalomanias místicas de Fernando Pessoa.

 

 

 

 

Ou, isto mata todas as nossas descrenças numa cajadada.