MANIFESTO (filhos de àtila)

 

 

 

 

Devido a interferências externas só podemos vir a dar este manifesto ao conhecimento público muito mais tarde do que desejariamos. Estamos conscientes de que este evento vai assinar a derradeira certidão de òbito da arte de uma geração que nos surge como o fruto podre da guerra fria. Mas guerra é guerra!

 

 

 

Amoras concubinas

de miosótis enrugados

delicadas parafinas

que florescem nos teu prados!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Chega de resistir à tentação! Que ninguém nos livre do mal! É do conhecimento do degenerado público que já pouca coisa o move das suas batedeiras elétricas e dos mass média! Kaputt! Essa é a nossa palavra de ordem! A nós os prados em que cavalgamos sobre búfalos ao som da límpida bosta!

 

 

Os nossos heróis? Lembram-se de Àtila o Huno, de Cleopatra, das espetadas de carne fresca e suculenta, do sabor da manteiga derretendo-se sobre a carne imaculada das santolas! A aventura, o burrego no churrasco, o escutismo louco, descontrolado!

 

 

 

Somos um movimento rude, indisciplinado como uma bola de neve que rola por uma montanha de estrume! Sim, somos o caos! Mas o caos límpido na sua forma ordenada e bruta! O raw caos!

 

  

Abaixo as substâncias sintéticas na comida! Porque não tentar criar gado nos apartamentos e acender fogueiras à noite, bebendo vinho de sabor antigo em festa?

   

É necessário dar ferro a esta anémica sociedade! Decapitar os papuça e dentuça!

 

  Tal é o nosso desejo, e lentamente, engrossando sempre, o movimento homeostético sobreporá a este nojo estagnado e enlatado a sua filosofia moral superior, um novo modelo de caos, de limpidez, uma moralidade natural, por enquanto imberbe, mas amanhã pilosíssima.