MANIFESTO HOMEOSTÈTICO

 

 

 

(in catálogo da exposição Homeostética, de 26 de Maio a 9 de Junho)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vestirmo-nos com as roupas matemáticas do despotismo esclarecido

 

enquanto lançamos as crises no esquecimento,

 

 

 

 

fechados numa fraternidade central,

 

num espaço e tempo construído e desconstruído para habitarmos e transgredirmos:

 

organizando

desorganizando,

mais ou menos exebicionisticamente,

 

 

 

deixando o corpo para sêr olhado ou reolhado,

 

quais narcisos mergulados nos labirintos da imagem-própria,

 

num espelho que incontrolávelmente é transcendido

em simultaneo com o que é espelhado.

 

 

O caos existe no meio destas coisas:

 

 

é um dos íntimos deuses-máquinas-métodos, uma confusão activa e não-actuante:

 

uma paixão fria mais-ou-menos à espera.

 

 

 

 

 

 

 

Mas quem sonha com uma ordem

intacta

e perfeita?

 

 

 

Contar ou não contar com as Utopias: mera questão de táctica!

 

 

 

 

E o que é o Homeostético? :

 

pergunta absurda cheia de táxis, caviar, livros de bolso e arsénico...

 

Fazer confluir todos os gestos para um Uno-Ùnico-Imediato,

 

 

ou então

 

 

construir um deus-manofactura ligeiro/pesado,

um deus artesanal

 

 

 

 

ou então

 

uma pluralidade deles,

sagrados e implacáveis,

fazendo deslizar para o manufacto

o deus e a sua catedral:

 

que as montanhas venham visitar os profetas!

 

 

 

 

 

Tudo começa nos orifícios.

 

 

 

 

Primeiro: o ritual festivo da catharsis:

o morder,

o ganir,

o conter,

o envolver;

 

segundo: o deixar-se ser envolvido.

 

 

 

 

Isto paradoxalmente.

 

 

Com as unhas cheias de humor negro e branco,

num acto máximo-mínimo

e vice-versa:

 

 

 

 

neste caso a escala deixa-nos perplexos

 

porque repleta de fluxos e influxos,

de um dentro-fora em movimento.

 

 

 

Regresso e progresso na humanidade, na infância:

 

 

 

chafurdar na fraternidade

com crimes

revolucionários;

 

 

 

porém, o projecto é sempre o mesmo

 

¾ revelar a Cidade Nova.

 

 

 

 

Os poderes mostram-se desta maneira indemonstráveis,

 

em luxuosos intímismos

e em exageradas pantomimas,

 

 

 

 

sem sentimentalismos frenéticos

e em nostalgias

de ópios

com binóculos

no além.

 

 

 

A farda faz o militante, o rótulo apenas prefaz o homeostético.

 

 

 

O Homeostético é por isso um animal sábio e absoluto consciente do seu génio.

 

 

 

 

 

 

As estradas dos excessos acaba por o conduzir aos palácios da sabedoria,

 

 

 

a meta entre o arrastador e o arrastado (facto magnético) é o aqui-infinito.

 

A revolução,

a política,

a regressividade,

a solidariedade

e o individualismo

amam-nos profundamente:

 

 

 

 

ah, ser heroi, doido, amaldiçoado ou Belo!