PARAHERMENEUTICA

 

 

 

 

 

Se a hermeneutica retraça o sentido perdido/obscuro (a tal metáfora dúbia) e advém de uma consciência dessa perca/obscurecimento, e da fidelidade canina a uma noiva mística (Ó Jerusalem!);

 

 

 

((a parahermeneutica, por erro, por delirio, por proximidade, por desfruto ou mesmo por estupidês; compõe um sentido fluído, uma teia problemática de ligações, um fluxo de equívocos, de abduções, que se podem adaptar à realidade

como luvas se ela para isto os solicitar.))

 

 

 

Estas interpertações, são quais novos bestiários de uma fauna monstruosa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Da parahermeneutica exige-se apenas uma plasticidade dinâmica. A verdade que desencadeia é como os tectos falsos que estão cheios de tralha. O jogo de cabra-cega encontra a verdade errada através de apalpadelas, mas por mais errada que seja não deixa de têr a consistência de uma verdade.

 

 

 

 

A interpretação não é o único objectivo da parahermeneutica.

 

 

 

Esta quando encontra uma coisa é suficientemente inteligente para nem sequer ter a pretensão de achar que se está aproximar de uma coisa obscura. Provávelmente está a distanciar-se, a recuar às escuras.

 

 

Mas o caminho que avança não é o mesmo que recua?

 

 

 

Bom! Dizia que há outro modelo de avançar para a Verdade, isto é, inventá-la, construí-la, criar a realidade ou deformá-la para que se lhe ajuste.

 

 


Há também a extrepretação, o rapto violento, inconsequente por agora, mas fatal amanhã, como o rapto da Europa e outros raptos afins.

Nada de cópias ou simulacros. A interpretação ainda tem o cuidado de ligar, de tecer, qual tarantula, os tenebrosos fios nos quais enrederá a vítima.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Verdade faz sempre vítimas, quer queiram quer não! Na extrepretação há o saque, os templos incendiados à tocha ou à bomba! Que trabalho demolidor!

 

 

 

O tempo que tudo desfaz acena com as suas mandíbulas sedentas, o riso selvagem dos glutões (do Presto?) arruina as pretensões conclusivas, e algo se escapa, se desvia, rompendo o cerco dos exércitos interpretativos.

 

 

 

 

A filologia, com todo o seu amor, repete sempre as suas declarações, tal como a filosofia, que é pura e simplesmente incapaz de se zangar com a sabedoria.

 

 

 

 

Quer uma quer a outra têm os canudos do bom gosto na mão e mostram-se compreensivas, e às vezes mesmo tolerantes para com os canibalismos extrepertativos, mas a regra geral é o desdém hipócrita e conformista, de submissão total a uma sociedade picuínhas que prefere o ecletismo ao sincretismo por causa da mania da identidade nacional, regional ou individual.

 

 

 

 

Nós preferimos a aculturação, a importação, o colonialismo, a mania do exótico, a moda e o pitoresco.

 

 

 

 

No rapto há uma cegueira fundamental, uma tradução apressada, um mimetismo súbito que se desvanece no reconhecimento de que não passa de uma cópia ridícula, uma ilusão encantadora ( “Helena”, sempre Helena, transformada em Sofia, como o fez Simão o Mago).

 

 

 

 

Para raptar é necessária alguma astúcia e persistência, porque como dizia Almada, ao Outrem apenas resta deixar-se raptar!