PENSAMENTOS
(1985)
Fragmentos de ciúme.
A deusa do amor sabe troçar das nossas ironias baças.
Mas o texto prossegue.
Mediactivamente.
Em meditativa sensualidade.
Em intertextualidade diferenciante.
Das diferenças.
E das agonias.
A existência dos deuses torna-se útil quando confrontada
com a socialidade e as físiocracias de indole democrática.
Não brinquemos no entanto com as palavras.
Ou que as torneiras apocalipticas desfilem.
O rosto do subjectivo, o fímbrio intimo da gesticfulação.
O ardor sempre bem sacudido de uma cejaculação literária.
Os leitores amo-os esbeltos, cornudos e fatigados.
Mas com divino intelecto.
Tentsar dar um ar francês, cheio de contornos esbeltos
e esguios
a descaírtem num absurdo aforismo.
Por exemplo: o cheiro húmido da minha vaquinha
recordava nostalgias de Platão lendo fábulas egípcias escritas
em demótico.
Não, demasiado elaboradas.
Um tom sincero e sussurrante:
Cósmicos segredos destroçam-me.
A pregnância do nunco ousado.
Ligeireza astuta.
Métis a roçar a demência.