Segundo Manifesto para impessoalíssimos abusos

( que a classe operária nos perdoe!)

 

 

“é pá, o que a malta estápr’aqui

 a dizer não tarda vai ser uma cena

 completamente diferente.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A lingua é doce e traiçoeira, ó Vizir, e os desertos estão cheios de poeira.

   

Largamos as redes na bebedeira, lançamos pistas de um bombardeiro. E os boatos circulam na medina: certamente rolarão cabeças. Há um pânico e caridade generalizados (é essa a teoria). Os pescadores pescam às cegas, os cachalotes arrombam os botes e os mendigos insultam os estrangeiros.

 

 A lingua é doce e traiçoeira, ó Vizir, e os desertos estão cheios de poeira.

  

Somos, ó comendador dos crentes, vulcânicos ao amanhecer, mas à noite ficamos quietinhos fumando narguilé e bebendo uns vinhos. Tudo são conjecturas! Que Allah nos proteja de qualquer refutação.

 

 Luz e Simetria! - exclama o profeta. E nós viramo-nos pavlovianamente para Meca.

  

Vamos carpinteirar frazes eternas, tecer hinos, epopeias, catecismos. Ou pensam que é tudo treta?!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O grande ornato

é nosso prato,

hiperbarroco ou hindú

concreto ou abstracto

vestido ou nú

o grande ornato

é nosso prato.

 

 

In principio, quando o Verbo ainda não era bem Verbo, estavamos nús como Adão, com os pelos das costas à vista. E as tatuagens fitavam a face de Deus . Depois inventaram a morte às 3 pancadas. E finalmente, a terminar o desfile, a Eternidade ( aqui posta ao serviço da classe operária, porque a vida para ela é um pesadelo).

 

 

 

O grande ornato é a irrupção do Ausente. Deixem as portas abertas para o pródigo entrar!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Houve um profeta que disse:

é fugindo que nos encontramos!

  

 

Técnicas a administrar: planos quinquenais, saturnais, interrogatórios socráticos, horários monásticos, paródias desconcertantes... Talvez tudo fique assim (ó saudosistas) como dantes!

  

Caminhamos para o abismo, ó ingratos! Ou pelo contrário: os paraísos não são artificiais... Lá na nossa terra, quando mandarmos em tudo, serão queimados na fogueira

 

1) os péssimistas

2) os totalitaristas

3) os legitimistas

 

 

e tudo quanto contradiz o sentido de humor

ou busque  no estável estabilidade.

 

 

 

Há quem diga que isto é um charco de intelectualóides (sem estrutura).

E ainda bem! - rosnou Teseu.